Galera, hoje vou disponibilizar uma entrevista do repórter do "seu nome e seu bairro" Thiago Reis, que foi concedida ao JORNAL O TEMPO, no dia 22/10/2007. Veja aí a reportagem na íntegra.
O TEMPO: SURGIMENTO DO BORDÃO THIAGO REIS:
"Era estagiário na época, queria ser repórter, mas sem tomar o lugar de alguém. Comecei a perceber que tinha a chance de falar com o torcedor. Pedi ao meu chefe para fazer isso, mas, nas primeiras vezes, os produtores reclamaram porque eu não identificava as pessoas. Até que comecei a perguntar o nome e o bairro e pegou. Isso foi em 2004, quando o Atlético se salvou do rebaixamento."
JOGADOR FRUSTRADO
"Sou um jogador de futebol frustrado. Joguei até os 16 anos na base do Atlético e larguei o futebol porque a minha mãe me pediu para continuar os estudos. Mas entrei no rádio por não querer me afastar do mundo da bola. Pensei em ser juiz, gandula, mas preferi a profissão de jornalista. Deixei o Atlético numa quarta e entrei na Itatiaia no domingo, como rádio-escuta, a convite do Milton Naves (narrador esportivo), e continuo até hoje."
REPERCUSSÃO
"Não fiquei assustado porque tudo aconteceu de forma gradativa. Comecei a entrevistar dez torcedores, antes e depois dos jogos. Depois passei para 15 e, de repente, acabei em uma proporção bem maior. Atualmente entrevisto em média 40 pessoas por jogo. Só me dei conta disso quando os torcedores passaram a me chamar apenas de ’Seu nome, seu bairro’. Agora, só minha mãe e meu pai me chamam pelo nome. Até criaram uma musiquinha para mim: ‘Seu nome, seu bairro, Thiaaaago!"
ASSÉDIO E FAMA
"Sou o mesmo cara que saiu de Cipotânea (interior de Minas), da roça. Continuo fazendo o meu trabalho como sempre fiz e não me sinto estrela, pois as verdadeiras são os torcedores. É um trabalho muito legal e não tem dinheiro no mundo que pague você chegar no meio do povo e receber carinho. Tem gente que se aproxima só para me cumprimentar. Muitos, inclusive, viram amigos. Ultrapassou o lime do microfone."
PRESENTES
"Em quase todos os jogos, ganho um. Uma vez brinquei com um torcedor para trazer carne-de-sol para mim, e não é que ele chegou com 6 kg na partida seguinte! Recebo camisas de futebol, presente de pessoas que estão fora do país. Uma vez, uma menina colocou um bilhetinho no meu bolso com o telefone dela, dizendo que ‘tinha o sonho de falar seu nome, seu bairro no meu ouvido‘. Não liguei, sei apenas que ela se chama Daniela."
AMOR E ÓDIO
"A maioria dos torcedores me recebe muito bem. Os que não gostam de mim não se aproximam em virtude dos outros que gostam. Atendo bem a todos, converso sempre muito mais quando estou fora do ar. Uma vez estava andando na arquibancada do Cruzeiro e uma torcedora começou a me xingar, dizendo que eu era atleticano. Fui até a ela, começamos a conversar e hoje somos grandes amigos."
MOMENTO MARCANTE
"O mais emocionante rodou a Internet. Uma senhora idosa, a dona Maria, do bairro Céu Azul, deu uma entrevista muito emocionante depois de uma derrota do Atlético na campanha do rebaixamento, em 2005. Ela falou durante 10 minutos chorando. Disse que estava cansada de ouvir o neto perguntar que dia o Atlético iria ganhar, e também que o time era a vida dela. Na hora, mantenho-me firme. Mas quando chego em casa, vou refletir, fico balançado."
TIME DO CORAÇÃO
"Não sei se revelo... Vou falar em primeira mão. Sou americano, mas respeito todas as torcidas e costumo torcer para Atlético e Cruzeiro vencerem, desde que não estejam jogando contra o meu América. Tenho muita dificuldade de trabalhar nos jogos do Coelho, pois me machuco todo, roendo as unhas. Tenho certeza de que o clube, muito em breve, vai sair desta difícil situação e voltar ao cenário maior do futebol nacional, disputando a Primeira Divisão".
VOZ X APARÊNCIA
"As pessoas estranham quando me conhecem pessoalmente, por causa da pouca idade (23 anos). Até mesmo o meu chefe, o Emanuel (Carneiro), uma vez mandou buscar minha carteira de trabalho, pois achava que eu era ‘gato’ (expressão que identifica jogar com idade adulterada). Muita gente fala que me imaginava gordo, velho. Certa vez, uma senhora foi me conhecer na portaria da rádio e ficou frustrada, pois pensava que eu fosse um negro alto. O porteiro não parava de rir."
MANCADA
"Estava trabalhando num Atlético e Cruzeiro, em 2005, quando cometi uma gafe ao entrevistar o volante Amaral. Chamei o jogador de Ataliba e ele disse: ‘não sou Ataliba, não, p.’. Eu, sem pensar, retruquei: ‘não, mas o futebol é tão fraco quanto o dele’. Isso foi bem no início da minha carreira".
SITUAÇÕES INUSITADAS
"Um torcedor usou o microfone para avisar que ia dormir com o Scooby Doo, o cachorro dele, porque tinha abandonado a mulher para ir ao jogo durante um feriado. Não sei se ela e outras mulheres aceitam as desculpas, mas muitos casamentos já devem ter acabado (risos). Em outra situação, entrevistei uma mulher grávida e falei que era a primeira entrevista do bebê, ainda em formação, no ’Seu nome, seu bairro’. Seis meses depois, ela voltou com o Matheus no colo, pedindo para eu virar padrinho do garoto."
APERTOS
"Toda vez que um time perde, passo um. Sofri quando o Atlético caiu para a Segunda Divisão e tive que ficar no meio da cavalaria da Polícia Militar, em meio às bombas, quando os torcedores queriam invadir o hall. Atualmente, trabalho com um segurança, mas nunca aconteceu nada. Brinco sempre que ‘seu nome, seu bairro’ é igual a casamento, na alegria e na tristeza."
SITE
"Resolvi criar o site www.seunomeseubairro.com.br para os torcedores ouvirem as entrevistas que são veiculadas na rádio. Eles vão poder baixá-las para escutar em casa ou ouvir no celular. Basta preencher o nome e o bairro. No primeiro momento, vão estar disponíveis todas as entrevistas de 2007."
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